terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Dores de cabeça do Natal Secularizado

O natal passou, mas o que ficaria?
Brinquedos trouxeram alguma alegria,
Mas, carro ou avião, também pararia,
Quebra a corda ou falta bateria!

Durou só um dia a animação!
Momento esperado, de antecipação,
Passou num minuto, a empolgação,
E ainda ouvi: “Não quero isso não”.

Depois, com as notas, eu me ocupei
Somando e anotando, por onde passei,
Fiquei abismado, com o que comprei
Seis meses pagando, é o que passarei.

Doem meus pés, lateja a cabeça,
Fiquei apertado e quase esmagado,
Perdi muito tempo e andei a beça,
E para que isso? Pra que resultado?

E não dá pr’a esquecer, da refeição!
A mulher na cozinha, no forno e fogão,
Se esbaforindo, panela na mão,
Cansada, acabada; muita afobação.

E quase morri, de indigestão,
Peru e presunto, e até camarão,
Coxinha, empada, muito salpicão,
Passei quatro horas com o prato na mão

Suado, cansado e atribulado,
Dei pulo da cama, atarantado,
Do Natal, com raiva, apavorado
Reclamo da data, bem abusado.

Calma, marido, não é bem assim!
Exclama a mulher, bem perto de mim,
Você ‘tá sonhando! Não é tão ruim!
O Natal é hoje! Sorria, enfim!

Presentes, nós damos; de muitos lembramos,
Aqueles que em nossa vida prezamos,
Aos quais de bom grado, compartilhamos,
As bênçãos divinas que nós recebemos.

Mas sabemos bem, que o nosso Natal,
Não está nos presentes, nem no festival,
É mais do que isso, consiste, afinal,
Da vinda de Cristo, da morte do Mal!

Solano Portela

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